Um dos aspectos mais marcantes de um bom livro é a caracterização dos personagens. E, na minha opinião, uma obra de génio tem de envolver, quase obrigatoriamente, um personagem muito forte.
Li há muitos anos “O Perfume”, de Patrick Süskind e não conseguirei, mesmo que quira, esquecer esse personagem inesquecível que é Jean-Baptiste Grenouille. Trata-se de um homem estranho, que não possui cheiro próprio embora tenha um olfacto anormalmente apurado. Tudo se passa como se ele absorvesse todos os cheiros do mundo. Esta característica, aparentemente inútil transforma-o no mais genial fabricante de Perfumes.
A partir daqui Süskind constrói uma história maravilhosa, baseada nos perfumes e maus cheiros de Paris. Este contraste estende-se depois a todos os outros contrastes do meio parisiense do século XVII – o amor e a violência, a luxúria e o ódio, a beleza e o terror.
Grenouille é o herói e o anti-herói, o vilão que se apaixona para depois matar a amada.
E vinte e seis serão as suas vítimas, todas elas assassinadas na procura da essência perfeita.
Uma obra medonha, uma obra de génio!
